Optimus Primavera Sound: o guia


Finalmente está a chegar o Optimus Primavera Sound. A espera tem sido longa e os preparativos têm vindo a ser feitos há meses. Já temos bilhetes (comprados dia 4 de Outubro, porque assim que soubemos que o festival ia ter o dedo da Ritmos - organizadora do Paredes de Coura - não houve qualquer hesitação em dar o nosso voto de confiança), sítio para ficar, já descarregámos a aplicação do festival para o telemóvel e agora só falta mesmo fazer o guia de concertos que queremos ver. Já se sabe que há sempre concertos que nos interessam a acontecer à mesma hora e decisões que nos parecem boas agora, mas na altura até vamos espreitar outro palco, etc., etc., mas a verdade é que é sempre bom ter um plano.

O PLANO
Para se ter uma visão do cartaz por artistas, dias e horários, o melhor é irem ao site oficial do festival e consultarem o separador horários, que nos dá logo o que queremos saber.
Depois de vermos essas listas, está na hora de anotar o que não podemos perder.

QUINTA, 7 DE JUNHO
Basicamente, neste primeiro dia é para ver tudo o que há para ver. Mesmo os concertos do início da tarde devemos ver deitadinhos na relva, claro. Nada de sobressaltos, portanto.

Palco Primavera | 19h00 | Atlas Sound
Palco Optimus | 20h15 | Yann Tiersen
Palco Primavera | 21h30 | The Drums
Palco Optimus | 22h45 | Suede
Palco Primavera | 00h30 | Explosions in the Sky
Palco Optimus | 02h00 | The Rapture

SEXTA, 8 DE JUNHO 
Aqui já há previsões de correria de uns palcos para os outros, indecisões até à última, deixar uns concertos a meio para ver outros (ou simplesmente ficar onde se está e nunca se ficar a saber realmente como foi o concerto no outro palco). Logo se vê, a vontade da altura é soberana.

Palco Primavera | 19h00 | Yo la Tengo
Palco Club | The War on Drugs
Palco Optimus | 21h15 | Rufus Wainwright
Palco Primavera | 21h30 | Flaming Lips
Palco Club | 22h00 | Black Lips
Palco Optimus | 23h15 | Wilco
Palco Club | 23h30 | Neon Indian
Palco Club | 01h00 | Beach House
Palco Primavera | 02h15 | M83

SÁBADO, 10 DE JUNHO
Bom, talvez neste dia também possamos testar o dom da omnipresença. Ou então vai cada um ver um concerto diferente e depois contamos como foi.

Palco Primavera | 17h00 | Gala Drop
Palco Primavera | 19h00 | Spiritualized
Palco ATP | 19h30 | Tennis
Palco Optimus | 20h15 | Death Cab for Cutie
Palco Primavera | 21h35 | Afghan Whigs
Palco Club | 22h00 | The Weeknd
Palco ATP | 22h00 | Lee Ranaldo
Palco Club | 23h30 | Wavves
Palco Club | 01h00 | Washed Out
Palco Optimus | 01h50 | The XX
Palco Club | 02h30 | John Talabot

DOMINGO, 11 DE JUNHO
Ufa, finalmente algum descanso. Como os concertos já não vão ser no Parque da Cidade devemos ficar primeiro pela Casa da Música, dar uns passeios e acabar a noite no Hard Club.

Casa da Música | 16h00 | Jeff Mangum/Nick Garrie
Casa da Música | 20h30 | The Olivia Tremor Control/ Best Youth
Hard Club | 21h15 | You Can't win Charlie Brown
Hard Club | 23h00 | Julie & The Carjackers

Et voilà, como diria alguém.

Em breve

Vamos falar sobre os nossos planos para o Optimus Primavera Sound. Está quaaaase!

PES strikes again

Já nos tínhamos lembrado há uns tempos do "rei do stop motion" e agora voltamos a ele, porque o novo vídeo, Fresh Guacamole, é simplesmente genial. Aqui fica esta pequena delícia visual.


Se puderem visitem o site oficial do PES e espreitem os vídeos mais antigos. Há muitas coisas boas para ver. 

IndieLisboa'12: pontos altos

Para nós, este ano, já não há mais IndieLisboa. Vamos rumar a Norte a partir de hoje e, apesar dos doze filmes vistos durante a semana, ainda ficou muito por ver. Se puderem, aproveitem. Há muito bons filmes a serem exibidos nas salas do cinema São Jorge, Londres e Culturgest até domingo à noite.

Os pontos altos (dentro daquilo que vimos, claro):

Rafa de João Salaviza + Nana de Valérie Massadian (na imagem) 


Felizmente, estes dois filmes vão estrear nas salas no próximo dia 10 de Maio (ver trailer aqui). Tanto num como noutro, podemos aperceber-nos daquilo que muitas vezes nos esquecemos: ser criança não é fácil. Os adultos não se lembram disso. É como se nunca tivessem passado pela infância, não percebem sequer as dificuldades e as preocupações de quem ainda não é autónomo.No primeiro filme partimos com Rafa à procura da sua mãe, que saiu tarde de casa e não voltou. Um percurso que fazemos com um aperto no estômago. Em Nana vemos o mundo pelos olhos de uma criança, onde cada tarefa (como comer, tomar banho) é um novo desafio a ultrapassar como se de um jogo se tratasse. O filme é dono de uma beleza incrível.


Dragonslayer de Tristan Patterson 

Foi uma surpresa. Na verdade, um filme sobre uma ex-lenda do skate até parece previsível. A história de vida, o "ó que eu já fui o maior e agora estou na miséria", blábláblá. Nada disso. Esta é a história de Josh "Skreech" Sandoval que era realmente uma lenda do skate e agora está na miséria, mas não há queixas, lamentos, pena de si próprio. As coisas eram de uma forma, agora são de outra e há que enfrentar isso da melhor maneira possível. 

The Color Wheel de Alex Ross Perry

Humor negro, ironia non stop. Esta é a história de dois irmãos que se detestam. Será que se detestam assim tanto? Para quem gosta de Philip Roth, grande influência do realizador, como o próprio afirmou num Q&A, é um bom filme, com um fim surpreendente (para o bem e para o mal). 

Andrew Bird, Fever Year de Xan Aranda

Era difícil fazer um mau documentário sobre o Andrew Bird (eu sei que sou suspeita para falar disto, porque podia seruma imagem cinzenta com música dele que eu já ia gostar) mas a verdade é que também podia ser um documentário menos bonito e bem feito que este. O Andrew Bird é um músico que vale mesmo a pena descobrir, e começar por este documentário pode ser uma boa ideia. Pena o som da sala não estar muito bom. A música do Andrew merecia mais.

Mais IndieLisboa: as nossas escolhas

Depois dos destaques do IndieMusic, que mereceram um post só para eles, decidimos fazer uma lista de filmes que queríamos ver e comprar já os bilhetes. No meio de mais de 200 filmes, chegar a uma lista de 11 não foi nada fácil. Mas a verdade é que, entre aquilo que queremos ver e aquilo que os horários e os compromissos nos deixam ver, ficam logo uns quantos pelo caminho. Depois é arriscar entre aqueles que achamos que vão ser bons e os que nos disseram que iam ser bons. Nesta lista ficam-nos a faltar curtas metragens, que fazemos conta de encaixar aí pelo meio.
O IndieLisboa arranca hoje às 21h30 com o filme Dark Horse de Todd Solondz, que vai ser exibido no Cinema São Jorge. À mesma hora, nas outras salas, há outras excelentes opções.
Aqui ficam as nossas escolhas:


Competição Internacional
Berlin Telegram de Leila Albayaty
L'Estate di Giacomo de Alessandro Comodin
The Color Wheel de Alex Ross Perry

Cinema Emergente
Dragonslayer de Tristan Patterson
Rafa de João Salaviza + Nana de Valérie Massadian
The International Sign for Choking de Zach Weintraub

Director's Cut
Il Se Peut Que La Beauté Ait Renforcé Notre Résolution - Masao Adachi de Philippe Grandrieux

Pulsar do Mundo
Meet the Fokkens de Gabriëlle Provaas e Rob Schröder
Whore's Glory de Michael Glawogger

IndieMusic
Andrew Bird, Fever Year de Xan Aranda
How To Act Bad de Dima Dubson

Outras sugestões:
ÍPSILON  
4:44 Last Day on Earth de Abel Ferrara | Everybody in our family de Radu Jude | Still Life de Sebastian Meise |  L'Estate di Giacomo de Alessandro Comodin | Nana de Valérie Massadian | A Simple Life de Ann Hui | Michael de Markus Schleinzer | Alpis de Yorgos Lathimos | Il n'y a pas de rapport sexuel de Raphaël Siboni

TIME OUT
Palácios de Pena de Gabriel Abrantes | Still Life de Sebastian Meise | Des Épaules Solides de Ursula Meier | Take Shelter de Jeff Nichols | Into the Abyss de Werner Herzog | Los Angeles Plays Itself de Thom Andersen | Le Voyage Extraordinaire de Eric Lange e Serge Bromberg | East Punk Memories de Lucile Chaufour | R. Steevie Moore - Tape to Disc de Nuno Monteiro

IndieMusic: a música no cinema

Estava-se mesmo a ver que os destaques do IndieLisboa tinham de começar pela secção IndieMusic. A verdade é que, muito provavelmente, não vai ser nesta secção que vamos encontrar os filmes da nossa vida, mas para quem gosta tanto de música é natural que esta seja das primeiras secções a espreitar. Numa vista de olhos rápida pelo IndieMusic, saltam logo à vista os nomes de Andrew Bird, Adam Green, Chico Buarque, Sigur Rós, Neil Young e TV On The Radio. Como o tempo não dá para muito, vamos dar maior destaque aos filmes que vamos ver de certeza e deixamos alguns links com informação sobre os restantes, para que vocês possam decidir os que vos parecem mais apelativos.


ANDREW BIRD, FEVER YEAR de Xan Aranda promete ser uma viagem pelo processo criativo do músico, desde a fase de composição às performances ao vivo. Para além do processo em estúdio, o filme conduz-nos pelos concertos de Bird, onde vamos ser confrontados com a fadiga física e criativa do músico nos últimos meses de uma longa digressão. "Um retrato íntimo de um artista dedicado ao seu ofício, gracioso com a sua audiência e incessantemente satisfeito com a vida". É precisamente este lado humano e próximo do cantor que me deixa ansiosa por ver este filme. Ver trailer.
Exibições: 29 de Abril, 21h45, Cinema São Jorge | 4 Maio Sex, 00h00, Cinema São Jorge


HOW TO ACT BAD de Dimma Dubson é um filme sobre Adam Green. Melhor, é um filme sobre uma fase muito especial da vida de Adam Green. A realizadora, amiga do músico, acompanhou-o durante dois anos e teve acesso a todos os aspectos, públicos e privados, da sua vida. "O filme segue o músico que tenta redescobrir-se, na sequência de uma separação recente. Faz um novo álbum, cria um conjunto de pinturas e esculturas, namora com uma série de raparigas, fica noivo de duas delas ao mesmo tempo, dá concertos, experimenta várias drogas, faz uma longa-metragem com o iPhone, torna-se assunto para um documentário. O filme resultante é uma exploração bruta e sincera da arte, fama, fãs, drogas, amor, disfunção romântica, privacidade e honestidade." Dá ou não vontade de ver? Ver trailer.
Exibições: 30 Abril, 18h45, Cinema São Jorge | 5 Maio, 21h30, Cinema São Jorge

Para além destes dois filmes, e dos nomes destacados lá em cima, uma chamada de atenção para AMMA LO-FI, um filme sobre Sigrídur Níelsdóttir, uma artista que começou a gravar música aos 70 anos, PUNK IN AFRICA, um documentário sobre a história do movimento punk multi- racial inserido nas recentes agitações políticas e sociais vividas nalguns países da África Austral e OVER CANTO, um filme sobre o tamanho da influência da obra do compositor holandês Simeon ten Holt, Canto Ostinato, e sobre o mistério do poder universal da música.

A programação completa do IndieMusic pode ser consultada no site do IndieLisboa, bem como a informação detalhada sobre os preços dos bilhetes. Não se esqueçam que a venda antecipada de bilhetes (que permite comprar cadernetas voucher, que podem ser partilhadas) decorre até quarta-feira, dia 25 de Abril.

End of the Century: The Story of the Ramones


Este fim-de-semana finalmente vi um documentário que há muito tinha na minha lista. Apesar de o ano passado ter passado pelo docLisboa, por alguma razão que agora não me lembro, acabei por perder a oportunidade. Ontem, decidido, lembrei-me de procurar na internet na esperança de o encontrar. Comecei pelo o youtube e voilá! Conheço bem a música dos Ramones mas pouco sabia sobre a banda e a sua história. O documentário relata os acontecimentos ao longo dos mais de 20 anos da história da banda, com base em comentários e opiniões dos próprios músicos originários de Queens, NY. Nada de extraordinário do ponto de vista de montagem ou recolha de informação, um típico documentário sobre o percurso ao longo dos tempos contado na primeira pessoa. O mais interessante acaba por ser a ironia que prevalece na história dos Ramones, que influenciaram inúmeras bandas como os Sex Pistols, The Clash, Nirvana, Strokes (só para citar algumas) mas acabaram por nunca terem alcançado o sucesso merecido. Foram uma verdadeira banda indie que sempre se manteve à margem, que nunca conseguiu alcançar grandes vendas de discos ou hits, e nota-se a frustração que se foi instalando nos membros da banda ao longo dos anos.
Coincidência é o facto de ontem ter feito precisamente 11 anos que Jeffrey Ross Hyman, mais conhecido como Joey Ramone, faleceu. Assim se calou uma das maiores almas do punk rock.

Dois dias no Bussaco


Nós gostamos é de verduras. Fomos passar dois dias à Serra do Bussaco (ou Buçaco, como aparentemente se escreve de há uns tempos para cá, apesar de se ver as duas versões por todo o lado) e valeu muito a pena. O Bussaco faz parte da Mealhada e fica mesmo muito pertinho do Luso. Já se está mesmo a ver que foi uma barrigada de água do Luso (para a próxima temos de ir a Terras de Bouro, por causa da água do Fastio, que é tão boa).
Apanhamos bom tempo, fizemos alguns trilhos pedestres pela mata, que é belíssima, descobrimos lugares inesquecíveis, como as Portas de Coimbra ou o miradouro da Cruz Alta, ambos com uma vista incrível.
Um lugar paradisíaco, apenas a duas horas e meia de carro de Lisboa.

Uma rede social alternativa (agora para mais gente)


Durante muito tempo o Instagram era coisa só para portadores de iPhone. Finalmente a coisa mudou. Desde ontem que uma das aplicações de fotografia mais famosas e cobiçadas no mundo dos smartphones também está disponível em versão Android. Quem é que nunca viu uma fotografia com aqueles filtros tão bonitinhos e teve vontade de fazer uma igual? Agora mais gente pode experimentar essa magia. Basta irem ao Android Market e fazerem o download da aplicação, que é gratuita. A propósito desta novidade, lembro aqui o post em que o Guilherme confessava o seu vício pelo Instagram.

Mas o que é o Instagram? Não é mais que um twitter mas de fotos, embelezadas com uns filtros retro que ajudam muito a tornar as nossas fotos bem mais interessantes. É possível criar uma fotoreportagem de tudo o que nos rodeia e partilhar. Esta aplicação é um bálsamo para o voyeur que há em nós. Fotos e mais fotos, todos os dias, a todas as horas, a todos os segundos. Nós escolhemos quem queremos seguir, as pessoas escolhem-nos a nós, pelas nossas fotos (ou porque são nossos amigos). A ideia é ver o mundo pelos olhos dos outros. É tão simples, tão óbvio, que rapidamente se torna viciante.

Uma Separação

Uma Separação de Asghar Farhadi

Cá pela nossa relvinha temos andado a ver filmes um bocado ao sabor do vento. Não quer dizer que ir ao cinema implique fazer grandes planos, mas ultimamente o cansaço ou outros afazeres têm-nos levado a optar pelo sofá em vez da sala de cinema. O facto de haver um videoclube disponível na televisão com bons filmes também ajuda a decisão de ficar em casa e este fim-de-semana vimos finalmente Uma Separação. Na altura quando saiu o trailer, fiquei com muita curiosidade, as críticas começaram a saír e, apesar de nunca as ler antes de ver os filmes, reparei que estava a ser muito bem classificado. A curiosidade aumentou e as expectativas também e agora percebo perfeitamente todas as reacções positivas. Tinha ideia que seria um filme que, por se passar no Irão, levantaria questões culturais e religiosas islâmicas, mas não. Tirando um ou outro aspecto que sabemos que na nossa sociedade não aconteceria (sobretudo os que estão relacionados com a religião), a história é universal, podia ter lugar em qualquer parte do mundo. Não é um filme moralista, que nos diz o que pensar. Limita-se a mostrar-nos os factos e cada um é que decide o que achar e o que sentir. Já há muito que não me sentia tão envolvida por uma história - apesar que o Shame também mexeu comigo. O filme é, sobretudo, sobre o amor incondicional de um pai por uma filha e sobre aquilo que queremos ser aos olhos dos nossos filhos. Não basta parecer, há que ser. O argumento e os actores são impressionantes, merecem tudo de bom que se possa dizer sobre eles. É ficção, mas podia bem ser documentário. Tão real, tão visceral.